Entrevista | Diretor e responsável pela restauração de Onda Nova (1983) conversam sobre o filme
- Gabriella Ferreira
- 14 de mar.
- 13 min de leitura
Atualizado: 17 de mar.
Ícaro Martins e Júlia Duarte conversaram com o OP sobre o longa, que chega remasterizado aos cinemas em 27 de março.

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Uma ode à liberdade feminina e ao desejo. É assim que podemos definir, de maneira geral, o longa Onda Nova, lançado originalmente em 1983 na Mostra de SP e censurado pela ditadura militar logo depois. Nele, acompanhamos as histórias das jogadoras do Gayvotas Futebol Clube, um time feminino formado em 1983, em pleno regime, no ano em que o esporte foi regulamentado para as mulheres no Brasil, após ter sido banido por quatro décadas. Com o apoio de renomados jogadores da época, como Casagrande, Pita e Wladimir, elas enfrentam os preconceitos de uma sociedade conservadora. Paralelamente, lidam com problemas pessoais e se preparam para um simbólico jogo internacional contra a seleção italiana.
Sendo uma colagem surrealista sobre a juventude paulistana, Onda Nova integra o gênero da pornochanchada com seu tom cômico, irônico e juvenil. O longa-metragem sofreu censura por abordar temas como uso de drogas, aborto e libertação sexual. Produzido na Boca do Lixo e dirigido por José Antonio Garcia e Ícaro Martins, o filme é um símbolo nacional na luta contra o conservadorismo. E, agora em 2025, Onda Nova retorna aos cinemas remasterizado e sem censura, apresentando para muitos uma história que não tem medo de assumir o que ela verdadeiramente é.
Para falar sobre a história e o processo de memória e preservação de Onda Nova, o Oxente Pipoca conversou com Ícaro Martins, um dos diretores originais do longa, e Júlia Duarte, sobrinha de José Antônio Garcia e responsável pela restauração do filme, que chega em 27 de março aos cinemas de todo o Brasil.
Gabriella (Oxente Pipoca): Primeiro, gostaria de agradecer a disponibilidade de vocês e dizer que adorei assistir ao filme. Já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha assistido, e foi uma experiência incrível, especialmente para mim, que sou mulher e fã de futebol. Foi muito bom. Agora, gostaria de fazer uma pergunta para o Kiko: O filme se passa na época da ditadura militar e foi censurado e, embora tenha um cunho político, esse aspecto não é tratado de maneira explícita. Você poderia falar sobre como o filme dialoga com esse contexto político da época, mesmo sem abordar diretamente a política?
Ícaro Martins: O filme Onda Nova se passa em um contexto em que a ditadura militar ainda estava presente, com a repressão policial e tudo mais, e, de certa forma, essa situação de controle e repressão continua até hoje. Aliás, muitas coisas dessa época ainda permanecem vivas na atualidade. O que o filme traz, na minha opinião, é uma afirmação de vida. Ele trata do desejo, algo que constitui nossa personalidade. Não existe vida sem desejo, sem ânimo. Isso é algo muito importante, especialmente ao retratar a transição de um universo de repressão e morte, o que, de certa maneira, é uma realidade que podemos relacionar com o momento atual, após o governo Bolsonaro e a pandemia. Essa conexão é uma das razões pelas quais o filme ainda dialoga muito com os dias de hoje.
Gabriella (Oxente Pipoca): Recentemente, fui ver o filme “Rivais” do Luca Guadagnino nos cinemas e durante uma cena de beijo entre os três protagonistas, duas adolescentes do meu lado taparam o olho. Lembrei muito dessa cena enquanto assistia Onda Nova e percebi que uma parcela da sociedade esteja, talvez, mais careta que em 1983.
Ícaro Martins: Eu acho que, assistindo ao filme, isso realmente me fez refletir sobre a situação atual. Parece que estamos saindo, ou melhor, emergindo de um regime tão conservador quanto o da ditadura militar, talvez até pior em alguns aspectos, já que estamos 40 anos depois. Em certa medida, isso representa um retrocesso ainda maior.
Além disso, acho que, depois da Onda Nova, surgiu o que eu chamo de um "tridente do conservadorismo", composto por três fatores: a ascensão do neoliberalismo, o crescimento das religiões ultraconservadoras, e uma terceira questão que acentuou esse movimento. O neoliberalismo começou a ganhar força, e, ao mesmo tempo, as religiões ultraconservadoras começaram a ter mais influência, não só no cristianismo, mas também em comunidades como os neo-pentecostais e judeus ortodoxos. Esse fenômeno foi ainda mais reforçado com a chegada da AIDS, que gerou uma série de estigmas e um impulso para o conservadorismo religioso.
Vocês não se lembram, mas quando a AIDS surgiu, ela era inicialmente chamada de "câncer gay", porque não sabiam de onde vinha, e as primeiras vítimas eram de comunidades específicas. Isso gerou uma reação muito forte, uma verdadeira aliança entre o espírito protestante e o neoliberalismo, algo que já está descrito em clássicos como o de Max Weber, "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", uma aliança histórica que tem mais de 100 anos.
Essa combinação de fatores, com o conservadorismo religioso e neoliberalismo, foi uma das coisas que mais acentuou esse retrocesso que vivemos. E, no fim, estamos apenas começando a emergir dessa realidade. Eu acho que é exatamente por isso que o filme está gerando tanta repercussão, especialmente com o público jovem. As pessoas estão cansadas, ninguém aguenta mais esse conservadorismo e a repressão. O que o filme traz de relevante para o período atual é justamente essa sensação de liberdade e desejo que ele apresenta, que é tão necessária neste momento. Ele não só olha para a realidade daquela época, mas também transmite para o público jovem uma sensação de possibilidade, de se libertar das amarras e de explorar o que é autêntico e verdadeiro. Acho que isso ressoa muito com o que a geração atual está buscando.
Gabriella (Oxente Pipoca): Como foi a experiência de trazer esse filme de volta para o público atual, especialmente para aqueles que não o conheciam? Kiko e Júlia, poderiam compartilhar um pouco sobre o processo de restauração e como foi apresentar o filme para uma nova geração?
Júlia Duarte: Eu acho que a experiência de restaurar o filme foi incrível, e envolveu várias gerações diferentes. No início, o filme foi mal interpretado, e, na época, teve uma recepção negativa, principalmente por causa do contexto da ditadura e também por outros fatores. Na minha família, por exemplo, o filme era visto de forma bem negativa, quase como um filme maldito. O Zé, que é meu tio, havia feito O Olho Mágico do Amor, que foi muito elogiado, mas, depois, o Onda Nova não teve o mesmo sucesso. Foi um verdadeiro flop. E, depois, por muitos anos, o filme ficou meio esquecido, quase como algo tabu.
Eu só fui assistir a Onda Nova alguns anos depois, durante uma amostra dos filmes do Zé no Centro Cultural São Paulo. Quando vi, pensei: "Que loucura esse filme!" Ele parecia super atual, principalmente em questões de gênero, que na época não eram discutidas como são hoje. Isso me fez refletir sobre como, de certa forma, somos mais conservadores agora, mas, por outro lado, também houve um avanço nas discussões sobre identidade de gênero e sobre as pessoas se identificarem como não-binárias ou transicionarem de gênero.
A ideia de ressuscitar o filme surgiu há algum tempo, quando comecei a trabalhar mais com o cinema. Eu tinha o desejo de exibir Onda Nova e fazer um debate sobre futebol e gênero, por exemplo, mas isso acabou sendo adiado diversas vezes. Mais recentemente, quando criei uma plataforma online, a SPAMFLIX com filmes alternativos, eu tentei incluir os filmes do Antônio e do Kiko, mas o processo não foi fácil. A produtora que detinha os direitos dos filmes também havia passado por muitas mudanças e dificuldades. Mesmo assim, com o apoio de algumas pessoas, como meu companheiro, que trabalha no Festival de Locarno, conseguimos finalmente enviar o filme para lá.
O diretor de Locarno adorou o filme e sugeriu que o exibíssemos no festival. Foi aí que decidimos restaurá-lo. A Cinemateca entrou na parceria e, durante o processo, fizemos algumas mudanças para dar um novo fôlego ao filme, como criar um novo trailer e um novo pôster, que foi feito pela Helena, filha do Antônio, uma designer talentosa. Além disso, a Marina Kosa, que trabalhou no trailer, e o Bernardo, que nos ajudaram com a distribuição, foram super importantes.
O legal desse processo foi que ele envolveu várias gerações de pessoas que estavam trabalhando no cinema, desde os mais velhos até os mais jovens. E o mais interessante é que a resposta do público jovem tem sido muito positiva. Isso mostra que o filme, apesar de ser de uma época diferente, ainda ressoa com as novas gerações, que estão muito interessadas nesse tipo de conteúdo. A restauração trouxe uma nova vida para Onda Nova, e isso tem sido muito gratificante de ver.
Ícaro: A primeira vez que percebi o impacto que o filme causava nas pessoas mais jovens foi quando fui à Cinemateca ver a cópia digitalizada do negativo. Estava em um estado péssimo, a imagem estava bem ruim, e eu ficava olhando aquilo e ficava mal de ver.. Mas aí, uma menina da equipe, que devia ter uns 20 e poucos anos, virou para mim e disse: "Não, isso está ótimo, está incrível!". Foi um momento muito emocionante, ver a imagem tomando forma pela primeira vez.
Foi impressionante porque a equipe jovem da Cinemateca, que estava responsável pela restauração, ficou super animada com o filme. Eles estavam tão empolgados, e foi aí que eu percebi que o filme, apesar de ser de uma época diferente, estava realmente se conectando com essa nova geração. Isso foi algo que realmente me surpreendeu e mostrou o poder do filme para atravessar gerações.
Gabriella (Oxente Pipoca): Como vocês percebem o fato de que, mesmo nos anos 80, o filme aborda o futebol feminino em um contexto em que isso era praticamente um tabu? Até hoje, o futebol feminino ainda é visto como algo secundário, e as mulheres que falam sobre futebol enfrentam preconceito. No filme, as mulheres jogavam com paixão e sabiam exatamente o que estavam fazendo, e isso me encantou profundamente, pois sou fã de futebol e percebo o quanto as mulheres ainda sofrem preconceito, seja por torcerem ou por jogarem. Como surgiu a ideia de tratar do futebol feminino no filme? Foi algo que surgiu naturalmente durante o processo de criação ou foi uma escolha consciente?
Ícaro: O personagem da Batata foi inspirado em uma das amigas da Regina, que é prima do Zé Antônio. Na época, o futebol feminino era praticamente proibido até 1979, quando deixou de ser banido, mas ainda era algo muito informal e quase uma contravenção. O Zé Antônio, que tinha essa sobrinha, começou a ouvir histórias sobre o grupo de amigas dela que jogavam futebol. Elas se reuniam para jogar, mas não havia qualquer organização formal ou reconhecimento do futebol feminino, e os jogos eram bem informais, como se fossem "jogos de várzea".
Essa ideia de tratar do futebol feminino no filme surgiu dessas histórias e experiências reais. No caso da personagem Batata, foi inspirado em uma jogadora que era filha de um ex-jogador do Palmeiras, o "Chinesinho", que era uma espécie de líder do time. Naquele momento, o futebol feminino ainda estava longe de ser profissionalizado, e as mulheres jogavam porque realmente amavam o esporte, não por status ou reconhecimento.
Hoje, embora o futebol feminino tenha conquistado maior visibilidade e até se profissionalizado, ele ainda enfrenta muitas desigualdades, como a disparidade salarial em comparação ao futebol masculino. Isso reflete um problema mais amplo da sociedade brasileira, que é a estrutura patriarcal, onde as mulheres continuam em desvantagem, mesmo desempenhando as mesmas funções.
Quando o Zé Antônio começou a desenvolver essa ideia, ele inicialmente pensou em criar uma série de TV, mas quando surgiu a proposta de fazer um filme, ele pegou esse argumento e o desenvolveu junto com a equipe. Uma das grandes dificuldades foi encontrar mulheres que jogassem futebol, porque muitas das atrizes não tinham essa habilidade. Então, metade do time de jogadoras no filme não era de atrizes profissionais, mas sim mulheres que realmente sabiam jogar futebol, o que acabou funcionando muito bem. A ideia veio desse contexto original do Zé Antônio, inspirado nas histórias das amigas da prima dele.
Júlia: Sim, é verdade. O futebol feminino foi regulamentado em 1983, e foi nesse contexto que a ideia do filme começou a ganhar forma. O Casagrande até tem uma história relacionada a isso, porque naquele momento o Corinthians começou a formar um time feminino, e a Regina, que era parte da história original do filme, jogava nesse time.
Ícaro: Isso. O gancho para fazer o filme foi justamente essa regulamentação, que estava sendo discutida na imprensa na época. Esse foi o ponto de partida que possibilitou a criação do filme, já que o tema estava começando a ganhar visibilidade e relevância naquele momento.

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Gabriella (Oxente Pipoca): Como foi para vocês exibir o filme na sétima edição da Mostra de São Paulo, em 1983, e depois vê-lo sendo exibido novamente na mesma amostra no ano passado? Com certeza as recepções foram diferentes, mas como foi essa experiência para vocês?
Ícaro: Foi uma experiência muito legal, porque o filme foi exibido pela primeira vez na sétima edição da Mostra de São Paulo no final de 1983. Naquela época, a Mostra tinha conseguido, depois de anos de batalha, uma autorização especial da censura para exibir os filmes sem censura prévia. Embora não fossem os 400 ou 500 filmes que vemos hoje, a Mostra exibia cerca de 100 filmes, mas nem todos conseguiam o certificado de censura. A Mostra chegou a um acordo com a censura, e assim o filme foi exibido lá antes de ser oficialmente lançado e censurado.
Quando o filme foi selecionado para o Festival de Locarno, decidimos restaurá-lo e, ao falar com a Renata Almeida, contamos toda a história do filme e nossa vontade de que a primeira exibição no Brasil fosse novamente na Mostra de São Paulo, onde ele havia sido exibido originalmente. Ela aceitou de imediato. A reação do público na Mostra foi incrível, e o filme bombou nas redes sociais. Graças a essa repercussão, conseguimos garantir a distribuição do filme, não é mesmo, Júlia?
Júlia: Sim, já havia o interesse da distribuidora, mas a exibição na Mostra foi realmente muito especial. Eu também comecei a trabalhar com cinema na Mostra no ano seguinte à morte do Zé Antônio, então foi muito bonito voltar para lá, me sentindo em casa. A equipe toda estava super feliz, foi um reencontro de pessoas que não se viam há 40 anos.. As sessões estavam lotadas, e a recepção foi incrível.
Além disso, a repercussão do filme tem sido muito boa. Para além do Festival de Locarno, muitos festivais queer têm convidado o filme, como o BFI Flare em Londres, um dos maiores festivais queer da Europa, e em breve também vamos para a Coreia para outro festival, que não é focado no público queer. A recepção está sendo muito positiva, com públicos variados.
A exibição na Mostra foi especialmente marcante porque vimos que o filme ainda funciona no Brasil, mesmo 40 anos depois. O Kiko comentou algo que o Zé Antônio dizia na época, que o filme só seria realmente entendido 30 anos depois, e ele estava certo, mas se enganou um pouco no tempo, pois demorou um pouco mais do que ele imaginava para o filme ganhar essa compreensão e relevância.
Ícaro: O que aconteceu foi o seguinte: o filme ficou preso na censura por cerca de seis meses. Ele foi produzido como uma pornochanchada, um tipo de comédia erótica popular na época. Durante esse tempo em que o filme estava na censura, começou a liberação de filmes pornográficos de sexo explícito através de mandados de segurança. Então, quando o filme finalmente foi lançado no final de 1984, o cenário havia mudado drasticamente. Não só os filmes com sexo explícito haviam entrado no mercado, mas também começaram a ser produzidos no Brasil filmes de sexo explícito de verdade.
Esse novo cenário fez com que o mercado de salas de cinema se dividisse: ou os filmes eram sem sexo nenhum ou eram filmes com sexo explícito. O Onda Nova acabou sendo prejudicado porque ficou preso na censura e perdeu o momento.
Como havia uma demanda reprimida de filmes mais explícitos, o público ia ao cinema e quando via as Gayvotas Futebol Clube ao lado de um filme como Penetrações, não dava uma chance a Onda Nova. O filme, apesar de ter levado 1.780 pessoas à sala em uma semana — um número que hoje parece grande —, na época foi considerado um fracasso.
Gabriella (Oxente Pipoca): Hoje, um filme brasileiro independente que consiga atrair 1.780 pessoas na primeira semana de exibição seria um grande motivo de comemoração. É incrível pensar nisso, principalmente no contexto atual, onde as produções internacionais dominam o mercado.
E isso nos leva a um ponto muito relevante: a importância da cota de tela. Se não houver uma proteção para as produções nacionais, como a cota, fica muito difícil para filmes locais alcançarem o público. Sem essa medida, o sistema fica totalmente inclinado para as grandes produções estrangeiras, o que torna ainda mais difícil para filmes como Onda Nova terem o espaço e a visibilidade que merecem.
Júlia: Eu só queria acrescentar o que você falou sobre a cota de tela, que é fundamental, mas também é importante bater na tecla da preservação, que é o que estamos fazendo agora com Onda Nova. Eu acho que, no Brasil, ainda somos muito negligentes quando se trata de cuidar do nosso patrimônio cinematográfico. A indústria cinematográfica, de uma forma geral, não conseguiu se organizar bem diante da chegada do streaming, e isso afetou muito a preservação dos filmes.
Hoje, muitos filmes estão disponíveis online, mas na forma de cópias de péssima qualidade, muitas vezes piratas, o que diminui bastante o valor e a integridade das obras. A realidade é que, ao longo dos anos, filmes foram completamente perdidos. Por exemplo, um curta do Zé Antônio, que também falava sobre futebol e tinha jogadores de futebol, foi perdido. Isso mostra a importância de preservar, digitalizar os acervos e garantir que esses filmes voltem a ser acessíveis ao público.
Estamos tentando fazer isso com Onda Nova, e é muito gratificante ver o crescente interesse. Não são apenas os filmes dos cineastas mais famosos que precisam ser digitalizados, há muitos outros filmes brasileiros que merecem a mesma atenção. As pessoas têm curiosidade e querem ver mais. Essa preservação é crucial, não só para manter a história do nosso cinema, mas para dar aos públicos atuais a chance de conhecer e se conectar com essas obras.
Gabriella (Oxente Pipoca): Puxando esse gancho para a gente encerrar, temos uma pergunta que sempre fazemos para os nossos entrevistados aqui no OP: qual seria uma indicação especial de um filme brasileiro, além de Onda Nova? Gostaríamos que vocês dois indicassem um filme que vocês gostam, para os nossos seguidores irem buscar, assistir e conhecer.
Ícaro: Eu vou falar sobre Malu. Acho que é um filme que passou em um circuito muito pequeno, mas é realmente fantástico. É um filme que merece muito ser visto. Ele me tocou bastante e, na minha opinião, é um grande exemplo de cinema.Júlia: Eu vou falar de três filmes. Primeiro, A Estrela Nua e O Olho Mágico do Amor, que são dos Kiko e Zé Antônio. E também O Corpo do Zé Antônio, que são os próximos filmes que queremos restaurar. Eu realmente acredito que esses filmes são incríveis, e não é só para puxar a sardinha para o nosso lado, mas são filmes que merecem ser vistos e lembrados.
Ícaro: E tem tantos filmes bons por aí, como Kasa Branca, que está passando. O cinema brasileiro é realmente incrível, com muita coisa boa tanto do passado quanto do presente. E a gente precisa cuidar dele e preservar esses filmes. Outro filme que também estava passando é Baby, que é um grande filme. Enfim, acho até meio sacanagem falar só de um filme, como a Júlia disse. Pra mim, o melhor filme é sempre o último que vi.
Gabriella (Oxente Pipoca): Pra concluir, Júlia, você pode dar mais detalhes sobre o projeto Cinema do Desejo, que envolve a restauração dos filmes?
Júlia: Eu indiquei os três filmes porque estamos com esse projeto esse ano, e Onda Nova está indo muito bem, mas os outros filmes, como O Olho Mágico do Amor, por exemplo, estão em péssimo estado. Eles passavam com frequência no Canal Brasil, mas até saíram de lá, porque a cópia já estava praticamente irreconhecível.
Agora, estamos em parceria com a Cinemateca iniciando o processo de digitalização, mas ainda precisamos de financiamento. As pessoas têm se mostrado muito interessadas, e estamos buscando recursos para restaurar os filmes do Kiko e do Zé, como Estrela Nua e O Olho Mágico do Amor, além do Corpo do Zé Antônio. Esses quatro filmes têm uma temática em comum, todos explorando o desejo, o que os conecta muito. E, no final de 2025, será o aniversário de 70 anos de Zé Antônio e 20 anos de sua morte, então queremos fazer esse ciclo de filmes para celebrar e colocar essa obra de volta no mundo.
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