Entrevista | Fernando Fraiha fala sobre o processo de direção de ‘Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa’
- Ana Bia Andrade
- 26 de fev.
- 4 min de leitura
O cineasta conta sobre sua entrada no projeto, o processo de filmagens e o que esperar do universo do Chico Bento nos cinemas.

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Próximo de completar 1 milhão de espectadores, o filme Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa se consolida como uma das grandes estreias do cinema nacional de 2025 até o momento. Em entrevista exclusiva para o Oxente, Pipoca?, o diretor Fernando Fraiha compartilha a experiência de dirigir um filme protagonizado por um dos personagens mais amados do Brasil.
A trama acompanha Chico Bento (Isaac Amendoim), que costuma subir em sua amada goiabeira para pegar a fruta sem que o dono das terras saiba. O que ele não imaginava é que sua árvore estaria ameaçada pela construção de uma estrada na região.
Esse não é o primeiro trabalho de Fernando Fraiha no universo Maurício de Sousa. O cineasta fez parte da produção dos filmes Turma da Mônica: Laços e Turma da Mônica: Lições. Quando perguntado sobre como o processo de Chico Bento se diferenciou dos projetos anteriores, Fraiha explicou que, quando Daniel Rezende, diretor dos outros filmes da Turma, levou o projeto de Laços para a produtora Biônica, da qual Fraiha é sócio, o filme já estava em um estágio avançado. O contato de Fernando com os filmes da Turma da Mônica começou a partir desse momento.
O diretor conta que nunca imaginou dirigir um filme infantil e que teve seu primeiro contato com esse universo ao dirigir uma cena de Laços em que Magali pega todas as coisas da geladeira para arrumar suas malas, inclusive sua icônica melancia. Neste momento, Fraiha se emocionou muito. Foi um sentimento de nostalgia e de lembrança da infância e do baú de HQs que ele guardava embaixo da cama.
Depois desse envolvimento direto e orgânico com o projeto, Fernando relembra que, em uma pausa para o café na sala de roteiro e edição, Daniel Rezende comentou que Fernando seria uma escolha ideal para dirigir um filme do Chico Bento. Daniel destacou que o DNA do Chico é muito cômico e que Fernando já tinha uma forte ligação com a comédia. Inicialmente, Fernando achou que era apenas uma brincadeira e nem cogitou a ideia, pois na época estava envolvido com outros filmes.
Com o tempo, Daniel apresentou uma proposta de roteiro sobre o Chico para Maurício de Sousa e pediu a ajuda de Fernando para pensar em uma história. A ideia foi repassada para Raul Chequer, que já escrevia para a série Choque de Cultura (com o próprio Fernando) e para a animação Irmão do Jorel. Aos poucos, foi se formando um consenso sobre a narrativa do filme.
Essa passagem de bastão para Fernando aconteceu de uma forma muito orgânica. Ele brinca dizendo que acha que foi "manipulado" por Daniel, que soube lidar muito bem com a situação e abrir espaço com a Maurício de Sousa Produções. Foram dois anos escrevendo uma história em parceria, até que Daniel convidou Fernando para dirigir Chico Bento. Foi um processo longo, diluído ao longo de dois anos.
Sobre a seleção dos aspectos e histórias do Chico que seriam adaptados para o longa, Fernando conta que “Seu Maurício” trouxe muitas HQs para a equipe, além de referências encontradas na internet e no acervo pessoal dos roteiristas. “Toda vez que a gente emperrava, a gente olhava no catálogo de ideias. E foi tudo muito orgânico. E é muito lindo essa coisa do seu trabalho ser passar o dia lendo quadrinhos e anotando ideias. Essa fase da pesquisa foi muito gostosa”, conta.
Quando perguntado sobre as dificuldades nas gravações, Fernando diz que o processo foi prazeroso até o fim. Ele ressalta que as diárias eram desgastantes devido ao deslocamento entre locações. Filmar em uma fazenda envolvia uma viagem de uma hora até o local, e como o filme foi rodado com luz natural, havia pouca margem de controle sobre as condições climáticas. Tudo isso exigia paciência.
Fernando destaca que foi mágico sair de um processo de preparação de nove semanas de ensaio com o elenco, em conjunto com Larissa Mauro, preparadora de elenco. Durante esse período, houve muita decupagem do roteiro e, por consequência, no set, devido à preparação dilatada, as filmagens aconteceram de forma fluida e tranquila.
Fernando ainda ressalta: “Trabalhar com criança é uma viagem. Elas são os melhores seres humanos. A gente deveria parar tudo que estamos fazendo hoje e dar todos os cargos para as crianças – governo dos países, torná-las presidentes e CEOs de banco”, ri.

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O filme cumpre a missão de honrar os fãs antigos do Chico Bento e, ao mesmo tempo, trazer uma nova geração para esse universo. Fernando destaca que ver a comoção do público com o filme o emociona profundamente. “Eu fiquei viciado em ver os comentários no Letterboxd sobre o filme. Em meus outros trabalhos, eles tinham uma repercussão legal, mas eu nunca tinha escrito e dirigido um filme que chegasse tão fora da bolha. Ver seu trabalho indo tão além, isso é muito emocionante.”
Por fim, quando perguntado sobre outras possíveis adaptações do Chico para o cinema – inclusive se teríamos talvez Chico Bento no Shopping ou Chico Bento em: A Hora da Onça Beber Água –, Fernando afirma que já existe um roteiro novo. “Tudo que eu posso dizer sobre a sequência do filme é que o Isaac [Amendoim] está fazendo uma novela, e enquanto isso, a gente está entendendo se vai ter 2 ou não. A gente quer muito fazer. A gente luta muito por isso.”
“É difícil fazer cinema no Brasil. Isso por uma série de circunstâncias que vão além da nossa vontade. O que eu posso adiantar é que o roteiro do Chico Bento 2, escrito por mim, Elena Altheman e Raul Chequer, eu acho muito lindo mesmo. Pra mim, é ainda melhor que o roteiro do primeiro filme, que já é uma história que me apaixona muito!”
Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa está em cartaz nos cinemas e tem previsão de estreia no Prime Video em 22 de março de 2025.
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